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Inovador sistema híbrido de energia viabiliza água potável para comunidades ribeirinhas

No coração da Amazônia, cercada de matas e rios que concentram cerca de 12% de toda a água doce do planeta, as comunidades ribeirinhas do Pará sofrem com falta de água potável. Em Suruacá, uma pequena vila localizada à margem do Rio Tapajós, a população carrega as consequências pela falta de recursos básicos necessários ao dia a dia. A fim de beneficiar os habitantes locais, o Projeto Saúde e Alegria inaugura esta semana um novo sistema de tratamento de água com geração de energia solar, que abastecerá 500 pessoas de 127 famílias.

O Projeto Saúde e Alegria Iniciou suas ações em 1987 com foco em saúde, geração de renda e desenvolvimento territorial, já implantou sistemas de abastecimento e tratamento de agua em 37 comunidades com o apoio de diversos parceiros e atualmente atenda a cerca de 30 mil pessoas em 150 comunidades do Pará.

O sistema com a nova tecnologia é viabilizado pela Aliança Água+ Acesso, coalizão formada com apoio e investimento do Instituto Coca-Cola Brasil que hoje conta com 15 organizações dedicadas a ampliar o acesso à água e saneamento em comunidades rurais em oito estados brasileiros.

As organizações que integram a Aliança Agua+ têm implementado soluções inovadoras e modelos autossustentáveis para ampliar o acesso e tratamento de água em comunidades rurais de baixa renda no país e já beneficiou mais de 4.200 pessoas em seu primeiro ano de atuação.

No Pará, o Projeto Saúde e Alegria cocriou e tem expandido a implantação de uma tecnologia que utiliza de forma híbrida diesel e energia solar para viabilizar o bombeamento de água para os ribeirinhos a menores custos e de forma mais sustentável.

“A situação da região era muito complicada, pois, assim como a grande parte das comunidades que não tem acesso a rede elétrica, dependia de um gerador movido apenas a diesel para o funcionamento do sistema. Além de ser poluente e ter um custo cada vez mais elevado, o transporte do diesel só podia ser feito por distribuidor autorizado, e, por ser um local isolado, nenhuma empresa realizava a entrega, obrigando os moradores a percorrer longas distâncias para comprar clandestinamente. Além de ilegal, onerava a comunidade. Com a solução híbrida solar, além de uma expressiva redução de custos, elimina a energia poluente pela emissão de carbono”, afirmou Caetano Scannavino, coordenador do projeto Saúde e Alegria.

De acordo com Rodrigo Brito, gerente do Instituto Coca-Cola Brasil, “exatamente a população que mora ‘em cima’ da água não tem água potável nas suas residências. Nosso intuito é trazer cada vez mais soluções que melhorem a qualidade de vida dessas pessoas. É fazer, na prática, com que a tecnologia chegue à ponta e resolva questões sociais importantes”, disse.

Para a gestão e manutenção da solução implantada, o Projeto Saúde e Alegria organiza e capacita os moradores que atuam como responsáveis pela operação e sustentabilidade do sistema. Eles se organizaram em associação para definição das responsabilidades e da taxa de contribuição. “Além de orientarmos as famílias, realizamos treinamento com técnicos que estamos chamando de eletricistas do Sol. Assim, garantimos a manutenção dos equipamentos e geramos renda para moradores locais”, finalizou Scannavino.

Sendo a falta de acesso à energia e dependência de geradores um desafio comum a milhares de comunidades da Amazônia, esta solução de energia híbrida já está sendo disseminada para outras comunidades e organizações.  Além de Suruacá, o Projeto Saúde e Alegria por meio da Aliança Água+ irá implantar, ainda em 2018, soluções e sistemas de água e saneamento em outras seis comunidades e formar um fundo para melhorias em outras oito comunidades do Pará, beneficiando diretamente mais de 2.000 pessoas este ano.

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